terça-feira, 15 de novembro de 2011

EXPOSIÇÃO " BAÚ DO ILUSÓRIO"

Vindo de uma idéia constante de uns tempos atrás, e que se seguirá em frente, dando procedimento a um movimento artístico surgido em Bezerros- PE, em meio aos recitais poéticos e movimentos como: ''Sociedade F.D.P'' ( Filhos da Pátria) e ''Poeta Matuto Marginal'', ''Movimento Pouco Importa''. Houve uma influência também de minha parte nas Artes Plásticas e Gravuras, venho aqui então, mostrar o resultado com algumas das obras que fizeram parte de tudo isso.
Vale ressaltar que dezenas de coisas surgiram perante isso, como: Blog Poetas de Marte, os famosos fanzines El Niño, Eteimoso, etc...
Venho expor e vender parte desse trabalho que também foi exposto em lugares como a Biblioteca Pública Municipal de Igarassu-PE.


A BUSCA


A CARROÇA



A CONSTRUÇÃO


A CRIAÇÃO

A FLOR



ÁRVORE DOS SINOS




CELLO



FAGIA


EM BUSCA DE UM FRAGMENTO DE POESIA




COPO DE LEITE



MULHER CAINDO DA ESCADA



O SOM DO SERTÃO


PAISAGEM


PERDA DE TEMPO





          Interessados em adquirir  ou encomendar entrar em contato.
E-mail: marconeeorock@yahoo.com.br
Celular: 81 9964-9434/ 81 9197-1271



sábado, 12 de novembro de 2011

Artes Plásticas

Marco Antônio Soares da Costa (Marcantonio) nasceu em 1964, no estado do Rio de Janeiro. Dedica-se às artes plásticas desde o final da década de 70. Autodidata, sempre procurou aliar uma intuição natural à busca de informações e aprimoramento técnico e teórico, através do estudo da filosofia, estética e história da arte. Participou, ao longo da década de 90 de 20 exposições coletivas e realizou três individuais.  Trabalha com pintura, desenho e monotipia. Exerce o ensino particular. Desde 2005, desenvolveu o tema de sua mais recente exposição individual,  que têm como ponto de partida a gravura “Melancolia I” de Dürer, fruto de novas pesquisas e reflexões. Figura no guia “Artes-Plásticas no Brasil” 

(FONTE) http://cadernosdearte.wordpress.com/marcantonio/

-NO PALCO-

sábado, 5 de novembro de 2011

Jean-Michel Basquiat.


Ganhou popularidade primeiro como um grafiteiro na cidade onde nasceu e então como neo-expressionista. As pinturas de Basquiat ainda são influência para vários artistas e costumam atingir preços altos em leilões de arte. http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean-Michel_Basquiat

-NO PALCO-





sexta-feira, 4 de novembro de 2011

ARTIGO As tragédias da Rua Nova (1)






por ROSTAND PARAÍSO*
Durante o domínio holandês em Pernambuco, anos 1630 a 1654, num grande descampado, onde hoje se encontra a Matriz de Santo Antônio, construiu-se um depósito de material bélico, principalmente de munições, chamado de Casa da Pólvora. No seu entorno foram sendo erguidas algumas casas residenciais, e, dentro em pouco, já se esboçava, entre elas - a princípio, um mero caminho -, o espaço que ficaria conhecido como a Rua Nova da Casa da Pólvora.
Em 1752, pelo perigo que representava para um núcleo residencial já de certa importância, inclusive com algumas casas comerciais nos pavimentos térreos, a Casa da Pólvora foi transferida para outro local e a rua passou a ser conhecida como a Rua Nova de Santo Antônio, com o tempo abreviada para, simplesmente, Rua Nova.
Ela teve outros nomes: em 1870, foi batizada, pela Câmara Municipal, como Rua do Barão da Vitória (José Joaquim Coelho), um dos valentes soldados do nosso exército, que se destacara durante a guerra do Paraguai. Após o assassinato de João Pessoa, presidente da Paraíba, ocorrido a 26 de julho de 1930, no interior da Confeitaria Glória, ali localizada, aquela rua, pelo decreto de nº 143, de 10 de outubro daquele mesmo ano, assinado pelo então prefeito, o dr. Lauro Borba, passou a ser chamada Rua João Pessoa. Nenhum dos novos nomes caiu, porém, no gosto popular e ela continuou a ser conhecida como Rua Nova, esse nome sendo, finalmente, oficializado, por lei municipal, no ano de 1937.
Desde os seus primórdios, a Rua Nova era o local onde se abrigava o comércio mais fino da cidade, sempre freqüentado pela elite de nossa sociedade. Rua para onde afluíam todos os recifenses, era inevitável que, ao longo dos anos, ali ocorressem alguns desastres e crimes de morte.
A primeira grande tragédia da Rua Nova teria sido o emparedamento, pelo tresloucado pai, de uma jovem engravidada pelo namorado. Fato realmente acontecido, pura ficção ou um misto de ficção e realidade? Tudo parece ter sido um simples boato, nunca comprovado pelas investigações efetuadas pela polícia, e foi em cima desse boato, que Carneiro Vilela construiu a trama do seu mais famoso livro, A Emparedada da Rua Nova, considerado um dos grandes romances pernambucanos. De passagem, diga-se que Carneiro Vilela foi um dos fundadores da nossa hoje centenária Academia Pernambucana de Letras.
É famoso o fato ocorrido após a tentativa de assassinato do nosso último capitão-general, Luiz do Rego, ocorrida na Rua da Imperatriz, durante o início do século passado. Para facilitar o reconhecimento do cadáver do autor do atentado, seu corpo, sentado e amarrado a uma cadeira, ficou, de uma maneira sacrílega e bárbara, exposto, durante vários dias, na Rua Nova, ao lado da Matriz de Santo Antônio. Posteriormente, ele foi identificado como o de João do Souto Maior, que planejara aquele crime para se vingar de atos cometidos, pelo governador, contra pessoas de sua família.
A maior tragédia, porém, ocorrida na então Rua Barão da Vitória foi, sem dúvida, pela sua repercussão política, o assassinato de João Pessoa. O fato é por demais conhecido. A 26 de julho de 1930, depois de visitar um amigo (o juiz Cunha Melo, internado no Hospital do Centenário) e de ter almoçado no Restaurante Leite, já à tardinha, por volta das 17 horas, o presidente da Paraíba, João Pessoa, encontrava-se, acompanhado de Agamenon Magalhães, de Caio de Lima Cavalcanti e do comerciante Alfredo Dias, tomando chá na Confeitaria Glória, localizada no nº 318, esquina da Rua da Palma (na época denominada Rua de Santo Amaro). Entrando, de surpresa, no salão e postando-se atrás de Agamenon, uma pessoa, que logo se identificou (”Eu sou João Dantas”), desfechou dois tiros em João Pessoa, deixando-o estendido no chão. Levado, às pressas, para a farmácia vizinha, em poucos minutos o político paraibano morreu, numa tragédia que abalou o País inteiro. Embora não tivesse conotações políticas, sendo fruto de ódios pessoais entre o criminoso e a vítima, o crime veio aumentar o clima de revolta contra o Governo Federal e seria um dos estopins a deflagrar o movimento revolucionário já em efervescência e que, finalmente, viria às ruas, em Porto Alegre, a 3 de outubro daquele mesmo ano.
Na parede lateral do prédio de nº 318 da Rua Nova, onde funcionou a Confeitaria Glória, há uma placa de bronze, com os seguintes dizeres: Neste prédio tombou, assassinado em 26/07/1930, o grande brasileiro Dr. João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, presidente do Estado da Paraíba - Homenagem do Governo e do Povo de Pernambuco - Em 29/07/1931.
*Rostand Paraíso, médico-cardiologista, é da Academia Pernambucana de Letras.

Pernambuco - O Nassoviano e a Cidade Maurícia


-NO PALCO-

História - ESCRAVIDÃO NO BRASIL



-NO PALCO-

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Límites










 ¿Quién dijo alguna vez: hasta aquí la sed, hasta aquí el agua?
 ¿Quién dijo alguna vez: hasta aquí el aire, hasta aquí el fuego?
 ¿Quién dijo alguna vez: hasta aquí el amor, hasta aquí el odio?
 ¿Quién dijo alguna vez: hasta aquí el hombre, hasta aquí no?
 Sólo la esperanza tiene las rodillas nítidas.
Sangran.

Juan Gelman 


-NO PALCO-

sábado, 29 de outubro de 2011

LIVRE ARBÍTRIO



E ele dizia: mar!
E a água jorrava.
E ele dizia: bichos!
E micos pulavam.
E ele dizia: céu!
E o azul cintilava.
E ele dizia: homem!
Mas o homem
Não lhe atendia.

- NO PALCO-
 D.Everson

O CHORO DA CHUVA



Se hoje chove,
é porque você se foi...
Culpo a sua ausência
por essa tempestade...
Permanece chovendo:
você não voltará...

O sol brilhando
não é o seu retorno...
Apenas, por um momento,
esqueci que você se foi...

Em cada lembrança,
uma chuva fina cai no jardim...
Em cada tempestade,
é você no meu pensamento...
Entre sol e chuva,
você se vai, se vai, se vai...

-NO PALCO- 
  Fred Caju

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

" Antes que o dia acabe" Concurso Oswaldo Montenegro- Eu quero ser feliz agora.


    Divulgando meu novo vídeo para o Concurso de Oswaldo Montenegro.
   Quanto mais acessos tiver, mais chances terei de ganhar. Me ajudem visualizando e divulgando.
   Agradeço a todos!

domingo, 16 de outubro de 2011

O Assassino era o escriba

Meu professor de análise sintática era o tipo do
sujeito inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida,
regular com um paradigma da 1ª conjugação.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
assindético de nos torturar com um aposto.
Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
conetivos e agentes da passiva, o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto dire
to na cabeça.





- NO PALCO- 
Paulo Leminski

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Concurso de Videoclipes do Oswaldo Montenegro


Estou aqui divulgando o videoclipe que fiz para concorrer ao concurso de Oswaldo Montenegro, quanto mais acessos tiver mais chances terei de ganhar. Dê uma olhada e se gostar compartilhe nas redes sociais.



Segue o link de todos os vídeos, compare meu vídeo  com o dos concorrentes>http://www.oswaldomontenegro.com.br/concurso/



quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Lira

CLIC E, BAIXE E OUÇA

Novo trabalho de Lirinha, sua lira diferente da que estou acostumado, mas é um dentre tantos outros trabalhos que espero deste artista que trouxe junto com com o Cordel do Fogo Encantado uma releitura de um povo dentro de um espetáculo musical, suave Lirinha!

 AOS              A   M  I  G  O  S :                                             

PESSOAL ESSE É O MEU LIVRO (e-book)  DISPONIVEL PARA BAIXAR parceria com a CASTANHA MECÂNICA - E-books gratuitos para download .
É UM TRABALHO DEDICADO AOS AMIGOS EXISTENCIAIS-VIRTIUAIS E INVISIVEIS... APRECIE-O COM MODERAÇÃO... E ENVIE-O PARA OS VOSSOS.




-NO PALCO-

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

sus(to)




Minhas idas e vindas aos hospitais decadentes do SUS, me deixam sempre melancólica, desmotivada !
Os acadêmicos, meninos apenas, a grande parte teoricamente bem informados, mas na prática; mãos de obra desqualificada !
Somos cobaias, não de Deus, como disse Cazuza; mas dos homens, o que nos torna ainda mais tristes e vulneráveis !
O subir e descer de escadas que parecem não te levar a lugar algum, a filas ! ah as filas, quilométricas como uma fila de formigas que carregam um peso maior do que o tamanho de seus corpos !
Tanta gente a espera de ajuda, crentes, esperançosos !
Depositando nas costas do médico os mesmos meritos milagrosos que já foram lançados a Jesus !
Uma mulher enorme de gorda passou por mim, era imensa, seu rosto parecia inchado, suas pernas haviam sido amputadas e eu tive a sensação de fazer parte de um circo de horrores !
Não há um dia que não lamente ter que passar por tanto constrangimento e sentir que o SUS bulina, mais não examina, deforma mais não faz correções, atende sem olhar nos olhos e nos tratam sem nem a mísera consideração !

-DINHA LOVE-



- NO PALCO -

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

De suspirar em vão já fatigado



V
De suspirar em vão já fatigado,
Dando tréguas a meus males, eu dormia.
Eis que junto de mim sonhei que via
Da morte o gesto lívido e mirrado. 

Curva fouce no punho descarnado
Sustentava a cruel, e me dizia:
¨Eu venho terminar tua agonia;
Morre, não penes mais, ó desgraçado... 

¨Quis ferir-me, e de Amor foi atalhada.
Que armada de cruentos passadores
Aparece, e lhe diz com voz irada: 

¨Emprega noutro objeto os teus rigores;
Que esta vida infeliz está guardada
Para vítima só de meus furores¨. 

(Bocage)

-NO PALCO-

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Liberdade


    Ai que prazer
    não cumprir um dever.
    Ter um livro para ler
    e não o fazer!
    Ler é maçada,
    estudar é nada.
    O sol doira sem literatura.
    O rio corre bem ou mal,
    sem edição original.
    E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
    como tem tempo, não tem pressa...

    Livros são papéis pintados com tinta.
    Estudar é uma coisa em que está indistinta
    A distinção entre nada e coisa nenhuma.

    Quanto melhor é quando há bruma.
    Esperar por D. Sebastião,
    Quer venha ou não!

    Grande é a poesia, a bondade e as danças...
    Mas o melhor do mundo são as crianças,
    Flores, música, o luar, e o sol que peca
    Só quando, em vez de criar, seca.

    E mais do que isto
    É Jesus Cristo,
    Que não sabia nada de finanças,
    Nem consta que tivesse biblioteca...

    Fernando Pessoa

-NO PALCO-









A Rosa de Hiroshima


Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.

(Vinícius de Moraes)

- NO PALCO-

domingo, 26 de junho de 2011

Mitologias



De madrugada, sonhei que trovejava muito. Desciam dos céus infindos raios que tencionavam fuzilar toda a humanidade. Como se brincasse de amarelinha, pulando de quadrado em quadrado, consegui me esquivar da fúria de Jove. Ele bradava. Ah, e como bradava a
lto! Estava com ciúme por eu ter rendido culto à Baco esses dias. Deus vaidoso. Deus orgulhoso. deus. Sentiu-se ultrajado por me ver utilizando muito bem o fogo que Prometeu lhe roubou. Queimei meus dedos, e lenhas e corações... Deus vingativo. Não quis acorrentar-me. Não me deu abutre. Outro destino ao meu fígado. Pediu ao seu Pai, Cronos, que o devorasse aos poucos... Também me deu consciência, esperto! E má consciência, culpa... Mas isso é fácil de resolver: mato-a, mato-as. Mato criatura e criador. Matar quem? Já dizia o filósofo: Deus está morto!


-NO PALCO-

Delinear o tempo

''A vida é um pedaço meu que tento cortar e jogar fora, mas não consigo...''

(Marcone Jimmy)

-NO PALCO-

ASSALTARAM A GRAMÁTICA

1

Lista de diálogos
Francisco Alvim: No mar de suplementos literários não lidos –
de onde vez por outra emerge longínqua e espaçada
a voz ou o espelho da voz do imenso poeta –
sobrenada o gesto prosaico do personagem de Arezzo.
Marciano: “I beg your pardon.”
Paulo Leminski: o paulo leminski
é um cachorro louco
que deve ser morto
a pau e pedra
a fogo e pique
senão é bem capaz
o filhodaputa
de fazer chover
em nosso piquenique.
Waly Salomão: Teimo em restar aqui no distante deserto
Muezim, Muezim, Muezim mugindo à toa
Oásis que emana oásis à só menção da palavra OÁSIS
E eu subo
Pela teia acima marinhando
Taliqual aranha
Desço
Subo
Desço
Subo ao som da vontade
Até que a dura tesoura ou a afiada cimitarra corte os fios
Sedas
Dos meus dias.
SIC ITUR AD ASTRA
Assim se vai aos astros
Assim se vai aos astros2
“Jihad!”
Inscrição sobre o espelho: LAR ROMILAR
Chacal: nome: orlando tacapau.
idade: indeterminada no espaço.
origem: indefinida no tempo.
filiação: alzira namira e irirneu cafunga.
impressão digital: lamentável
CRÉDITOS sobre primeira página do jornal “O Dia”: ASSALTARAM A GRAMÁTICA.
MÚSICA: Assaltaram a gramática
Assassinaram a lógica
Meteram poesia
Na bagunça do dia a dia.
Sequestraram a fonética
Violentaram a métrica
Meteram poesia
Onde devia e não devia
Lá vem o poeta com sua coroa de louro,
Bertalha, agrião, pimentão, boldo.
O poeta é a pimenta do planeta,
Malagueta.
Waly Salomão: Tenho dito tenho dito tenho dito
E foi para isso
Que aprendeste de cor e salteado, que decoraste
Que gravaste no coração
As baladas de François Villon, o Vagabundo
E pregaste nas paredes as canções de amor de Safo?
Tenho dito
Tenho dito e aqui reedito
Que sou nefelibata nato.
Que antanho me supus uma máscara inscrita
Gigolô de bibelôs”3
Que sempre serei surrupiador de souvenirs.
E é assim, Poeta, que te indefines?
Quem és, afinal?
A qual espécie de peixe pertences?
Um mero embaralhador de cartas
Um mero embaralhador das cartas pousadas sobre o veludo da mesa deste profuso cassino.
Vendedora: “Cento e vinte e sete mil quinhentos e trinta.”
Waly Salomão: “Isto é um assalto!”
Vendedora: “Poeta carente...”
Waly Salomão: “Tomar os céus de assalto. Jihad!”
Paulo Leminski: “Um dia Jesus chegou na frente de Pôncio Pilatos, representante da autoridade romana, e
ele recebeu a pergunta que esta cidade está fazendo para mim agora: - Prá que que serve a
poesia? Aí Jesus disse: - O meu reino não é desse mundo.
A poesia não é do reino desse mundo”.
Chacal: quampérius aprendeu a voar com uma cabra que ele criava com especial carinho pois ela falava.
certo dia quampa perguntou à cabra de nome capricho: “– mi ensina a voar.” capricho disse
simplesmente: “– não faça como eu”. e quampérius voou. às vezes ele ficava horas sem teto
para aterrissar. nisso ele se parece comigo, só que eu não sei voar.
Paulo Leminski: “Acabou o tempo do belo e começou o tempo do novo.”
Diretora (Off): “O que é o novo?”
Paulo Leminski: “Pode ser uma ilusão de ótica”.
Diretora (Off): “E o Belo?”
Paulo Leminski: “O Belo é aquilo que o meu avô gostava.”
Diretora (Off): “E a poesia?”
Paulo Leminski: “A poesia é a minha liberdade.”
Francisco Alvim: Vou pisar na cara dele pra ele sentir o drama
Depois de amanhã subo cedinho para Teresópolis
Tem dez filhos e ganha salário mínimo
Se tomar um uisquinho agora não faço mais nada
Você não sabe o que é ter uma perna travada
O MDB não é besta de se tornar popular.4
Waly Salomão: “Antes dos versinhos, um pequeno panfleto. Pan-fle-to. Eu tenho visto e é preciso
parar com essa ópera bufa de só dar importância aos poetas depois de mortos. Eu vi
isso acontecer com Torquato Neto, vejo agora com Ana Cristina Cesar. Quer dizer,
que idéia de poesia, que modelo de poesia oprime, na sua cabeça, o aparecimento de
novas manifestações poéticas? A tradição dos mortos oprimindo como um pesadelo
o cérebro dos vivos. Acabou o panfleto.
Ana Cristina Cesar: Tantos poemas que perdi.
Tantos que ouvi, de graça
pelo telefone – tai,
eu fiz tudo prá você gostar,
fui mulher vulgar,
meia bruxa, meia fera,
risinho modernista
arranhado na garganta,
malandra,vândala,
talvez maquiavélica,
e um dia emburrei-me,
vali-me de mesuras
(era uma estratégia),
fiz comércio, avara,
embora um pouco burra,
porque inteligente me punha
logo rubra, ou ao contrário, cara
pálida que desconhece
o próprio cor-de-rosa,
e tantas fiz, talvez
querendo a glória, a outra
cena à luz de spots,
talvez apenas teu carinho,
mas tantas, tantas fiz...5
Paulo Leminski: en la lucha de clases
todas las armas son buenas
piedras
noches
poemas
en la lucha de clases
todas las armas son buenas
piedras
noches
poemas
en la lucha de clases
todas las armas son buenas
piedras
noches
poemas
Francisco Alvim: Olha Embaixador
eu acho que o grupo adotou uma decisão muito infeliz
e que em plenário a coisa não vai sair assim.
Waly Salomão: Por um novo catálogo de tipos
Por um novo catálogo de tipos
Por aqui tem feito D dias lindos
Procurar um outro ar
Alterar
E o meu ser se esgota
Na procura patológica
Do que nem eu sei o que é
E esse é
Não há nunca
Em parte alguma
Prazer algum
Mantra – mito nenhum
Que me baste.6
Chacal: Pego a palavra no ar
No pulo paro
Vejo aparo burilo
No papel reparo
E sigo compondo o verso.
Chacal: “Anda rápido aí que eu tenho um compromisso, viu? Eu tenho um compromisso com
a minha geração. Dizem por aí que é uma geração alienada, uma geração AI-5, mas
ela reinventou a poesia. Ela foi buscar a palavra onde só havia o silêncio.
Dizem por aí que a nossa geração é uma geração Coca-Cola, cocaína, mas nós
inventamos o Circo Voador. Nós reinventamos, reativamos a Lapa. Bem, a Lapa está
voltando a ser a Lapa. A Lapa está inscrita em sua napa”.
Paulo Leminski: pariso
novayorquiso
moscoviteio
sem sair do bar
só não levanto e vou embora
porque tem países
que eu nem chego a madagascar
Paulo Leminski: nem toda hora é obra
nem toda obra é prima
algumas são mães
outras irmãs
algumas clima
Chacal: deixei meus olhos escorrerem
ao acaso sobre você
e só achei satisfação
Francisco Alvim: “Meu caro, em matéria de poesia, eu também, eu quero só isso: eu quero é ser mais
amado”.
Maldade é a gente
não se ver nunca mais7
Chacal: “Aí Chico, então eu vou ligar o rádio por causa disso”.
Locutor rádio: “E atenção ouvinte, vem aí para contar o que acontece em todos os quadrantes do
mundo, o Correspondente Nacional...”
Francisco Alvim: “Se você quer retomar o papo, eu digo o seguinte:”
Suspiro
a vida é um adeusinho
Locutor rádio: “E atenção, atenção, os marcianos acabam de invadir a terra.
E salve-se quem puder!”

-NO PALCO-

domingo, 19 de junho de 2011

filosofando

Caniço Pensante


"O homem não passa de um caniço, o mais fraco da natureza, mas é um caniço pensante. Não é preciso que o universo inteiro se arme para esmagá-lo: um vapor, uma gota de água bastam para matá-lo. Mas, mesmo que o universo o esmagasse, o homem seria ainda mais nobre do que quem o mata, porque sabe que morre e a vantagem que o universo tem sobre ele; o universo desconhece tudo isso. Toda a nossa dignidade consiste, pois, no pensamento. Daí que é preciso nos elevarmos, e não do espaço e da duração, que não podemos preencher.Trabalhemos, pois, para bem pensar; eis o princípio da moral. Não é no espaço que devo buscar minha dignidade, mas na ordenação de meu pensamento. Não terei mais, possuindo terras; pelo espaço, o universo me abarca e traga como um ponto; pelo pensamento, eu o abarco".

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Meus oito anos


Oh! Souvenirs! Printemps! Aurores!
V. Hugo.

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores.
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d’amor!
Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberto o peito,
— Pés descalços, braços nus —
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras.
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
................................
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância queridaQue os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Casimiro de Abreu

-NO PALCO-